A história da nossa família começa com o nosso casamento religioso, que aconteceu em 2021. Neste mesmo ano decidimos iniciar as tentativas de engravidar. Pensamos que como nas novelas e filmes, seria tudo rápido, mas um ano se passou e não estávamos evoluindo. Pouco depois de iniciarmos as tentativas, eu fui diagnosticada com endometriose incipiente, ou seja, focos pequenos e com isso um caso de difícil remoção cirúrgica. Junto com o diagnóstico vieram mudanças na alimentação, devido a presença de focos no estômago, que até então entendemos ser nosso maior desafio. Em uma conversa com minha ginecologista sobre as tentativas de engravidar sem sucesso, ela nos aconselhou a buscar ajuda profissional, pois mesmo incipiente a endometriose poderia afetar nossas chances.
Com esta recomendação, iniciamos a busca por clínicas especializadas em fertilidade e, após avaliarmos algumas, chegamos ao CITI, e com vocês caminhamos por essa jornada.
No início de tudo fizemos inúmeros exames, com o acompanhamento do Dr Pedro, e a princípio identificamos como causa principal da nossa infertilidade as trompas – uma obstruída, e outra com formato sinuoso. Com este diagnóstico, poderíamos seguir utilizando meus óvulos e o material genético do meu esposo.
Eu tinha 35 anos e uma boa reserva ovariana, isso nos deu a esperança de conseguirmos embriões saudáveis. Nos preparamos com os medicamentos e partimos para nossa primeira coleta de materiais, meus e do meu esposo. A partir daí, nos deparamos com uma questão que infelizmente não é possível de detectar com exames prévios. A maioria dos meus óvulos apresentava uma má formação que comprometia a evolução saudável dos embriões – SER.
Nesta primeira coleta, tivemos apenas um óvulo que não apresentava esta anomalia, mas infelizmente ele não evoluiu o suficiente. Depois dessa primeira tentativa, que acabou se tornando um novo diagnóstico, tiramos um tempo para respirar e nos recuperar psicológica e emocionalmente, tendo todo o apoio e acolhimento que precisávamos para absorver este momento. Meses depois retornamos, ainda fragilizados, mas com a esperança de termos uma segunda coleta com óvulos melhores, tendo em vista que na primeira tivemos um que não apresentava a SER.
Porém, mais uma vez tivemos que lidar com a SER, desta vez em todos os óvulos do ciclo. No período em que aguardávamos para saber se mesmo com SER teríamos embriões saudáveis, pesquisamos sobre como funcionava o processo de ovodoação, e do que se tratava a epigenética. A princípio nos pareceu algo difícil de nos conectarmos, e tivemos muita resistência em entender como uma possibilidade para nos tornarmos pais. Mas, como somos pessoas de fé e tementes a Deus, recorremos a Ele para nos acalmar e guiar nos próximos passos, para escolhermos o melhor caminho para realizar nosso sonho de aumentar nossa família.
Neste segundo ciclo novamente não tivemos sucesso, e mais uma vez tiramos um período para nos recompor. Neste momento, tivemos uma mudança de acompanhamento, e iniciamos os passos para a terceira tentativa com a Dra Suellen, que desde a primeira consulta, sabendo da nossa história de tentativas, nos acolheu e mostrou todos os caminhos possíveis para tentarmos mais uma vez realizar nosso sonho.
Eu já sabia que tinha esgotado psicologicamente todas as minhas forças para tentar novamente com meus óvulos, e com isso iniciamos as conversas sobre ovodoação, com muita cautela e cuidado. Fomos avaliados pela psicóloga da clínica, antes de iniciar o processo de fato, para termos certeza do caminho a seguir. Depois dessa conversa, retornamos para a clínica em algumas semanas, e reforçamos com a Dra Su nossa intenção de seguir com a ovodoação, e a partir daí demos início ao processo.
Realizamos a coleta do material genético do meu esposo e iniciamos a escolha pelo perfil de doadora mais compatível com características físicas semelhantes às minhas. Optamos por ter acesso apenas às informações de fenótipo, sem visualizarmos nenhuma foto dela quando criança.
Diferente do que havia acontecido nas duas tentativas anteriores, nossas conversas com a equipe de embriologia cada vez nos aproximava mais do nosso sonho.
Em um único ciclo conseguimos três embriões, e com isso chegamos a uma nova fase, até então desconhecida para nós, a implantação. Dentre os três embriões, tivemos um que evoluiu primeiro que os demais, e foi colocado em uma paleta de criopreservação sozinho, e os outros dois, que evoluíram um pouco mais tardiamente, ficaram em uma mesma paleta.
A princípio, nossa ideia era implantar dois embriões, pois queríamos aumentar ao máximo nossas chances de ter um positivo. Mas, aquele embrião que evoluiu primeiro e ficou sozinho na paleta não saia da nossa cabeça. Então, mudamos a rota, e resolvemos seguir com ele e muita oração, deixando os outros dois criopreservados.
O dia da implantação foi um dos mais felizes e assustadores das nossas vidas, a partir dalí a ciência havia feito a sua parte e, para o coração bater, Deus precisaria agir. Chegamos um passo mais perto do nosso sonho.
Depois deste dia, aguardamos uma semana para fazer o exame de sangue (não fizemos o teste de gravidez da farmácia, pois precisamos da certeza do sim ou do não), e depois da eternidade que foi aguardar esses dias, finalmente tivemos o nosso positivo, ainda sem acreditar, mas nosso sonho estava ali, crescendo e multiplicando nosso amor.
Tivemos uma gestação muito tranquila, e nosso presente de Deus, adiantado desde o início, chegou 18 dias antes do previsto para iluminar nossas vidas.
Depois de tudo o que vivemos para chegar até aqui, só tenho a certeza de que Deus tem planos muito maiores e melhores do que aqueles que pensamos para nós mesmos. Se não fosse todo esse caminho e aprendizados, as pessoas que passaram pela nossa história direta ou indiretamente (como o caso da doadora), jamais teríamos nosso sonho aqui.
De fato, a ovodoação é uma alternativa a mais para quem, assim como nós, tem o sonho de experienciar a gestação, e poder vivenciar e acompanhar o desenvolvimento e crescimento do seu bebê. É um caminho de doação e amor ao próximo, para ajudar um desconhecido a realizar o sonho de ter sua família.
História contada por paciente do CITI Hinode, que autorizou a publicação em nosso site com o objetivo de incentivar outras famílias a terem resiliência, esperança e força para seguirem em frente até a realização do sonho da maternidade

