A vida sempre pareceu completa. Nunca tive sonho de ser mãe. Eu já tinha encontrado o amor da minha vida, construído uma carreira sólida em Florianópolis. Mas, ao chegar aos 40 anos, em meio à pausa forçada da pandemia, algo mudou. O olhar que antes pousava em projetos, passou a se demorar nas famílias que cruzavam meu caminho. Ali, nasceu um chamado: eu queria ser mãe.

O caminho não foi em linha reta. Enfrentei a frustração das tentativas naturais, a dor de um embrião aneuploide na tentativa que fiz em Floripa e aquele aperto no peito: a “dor na consciência” por não ter congelado óvulos antes. Passei pelo luto, pelo silêncio e pela tristeza. Mas o amor é maior que o medo.

Ao olhar para o lado e ver os exemplos de superação da minha irmã e de uma amiga que aos 53 anos engravidou, meu coração se abriu para a ovodoação como um dia, elas abriram o coração delas. O que antes era uma dúvida, tornou-se uma certeza absoluta. Lembro-me do almoço com meu marido, quando disse: “Quero ir para São Paulo. Vou tentar por óvulos doados e tenho certeza de que dará certo”. E, com o apoio dele, atravessei a ponte entre o sonho e a realidade.

Em São Paulo, encontrei na Dra. Eliana Moritta não apenas uma médica competente, mas um anjo. Seu acolhimento me deu a segurança que eu precisava. O processo fluiu: a doadora ideal, os embriões… e, embora o caminho tenha testado minha fé com um aborto inicial, eu sabia que minha filha estava a caminho.

Em março de 2023, na segunda tentativa, ela chegou. Prematura, lutadora, passou 41 dias na UTI nos ensinando o que é ser forte. Hoje, aos 2 anos e meio, ela é a luz das nossas vidas. É engraçado como a genética se manifesta de formas misteriosas: ela tem a carinha do pai, mas o meu jeito, a minha personalidade, a minha alma. Ela é, em cada detalhe, a minha filha.

Alguns meses após o nascimento dela, recebi o diagnóstico de um câncer de mama 100% hormonal. A vida, mais uma vez, me colocou diante de limites. Não pude seguir com outros planos de gestação, eu tinha 1 menino congelado, biopsiado. Mas, curiosamente, meu coração estava em paz. Porque eu já tinha recebido o maior presente que poderia desejar.

Ser mãe aos 44 anos transformou completamente a minha vida. E a ovodoação, que um dia me causou dúvidas, hoje é apenas um detalhe pequeno diante da imensidão do amor que sinto. Eu não penso nisso e quando penso, é só com gratidão. Gratidão pela ciência, pela medicina, pela generosidade de uma mulher que, em algum lugar, tornou esse sonho possível.

Se eu pudesse dizer algo a outras mulheres que enfrentam esse caminho, diria: abram o coração. A maternidade pode chegar de formas diferentes, mas o amor… esse é exatamente o mesmo. E, às vezes, ainda maior do que tudo que a gente um dia imaginou. A maternidade não nasce do DNA, ela nasce do sim que damos ao amor.


História contada por paciente do CITI, que autorizou a publicação em nosso site com o objetivo de incentivar outras famílias a terem resiliência, esperança e força para seguirem em frente até a realização do sonho da maternidade

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